Carta do Especialista 07/10/2022

2022-10-09


Sexta-feira, 07 de outubro de 2022.

Começamos a sexta-feira com um assunto muito polêmico: será que nosso destino é virar adubo? Até lá, a tecnologia de sequenciamento genético está evoluindo demais e cada vez mais acessível, assim como um pâncreas biônico vindo para ajudar tantos diabéticos que temos pelo mundo…E conheça o projeto mais completo da humanidade de mapeamento do cérebro. Quem sabe nos ajudam a viver mais enquanto pensamos no melhor destino para nossos restos mortais…E finalizo de uma maneira leve, apresentando um pouco da visão de futuro dos gigantes Apple e Amazon. Bora lá?

🌱 Corpos humanos sendo reciclados?

Assunto mais polêmico que as eleições brasileiras: será que é possível transformar restos humanos em adubo? Venha comigo que vou lhe contar esta história!

Rachel Gerberding, 48 anos, mora em Washington, EUA e perdeu sua mãe recentemente, por complicações de esclerose múltipla. Sharon foi “sepultada” em um parque industrial a 30 minutos ao sul de Seattle.

A família se reuniu em um prédio indescritível, em estilo de hangar, entre um depósito de borracha, instalações de reciclagem e uma empresa de testes de qualidade do ar. Nada parecido com os conhecidos rituais de enterro ou cremação. Neste local a equipe colocou o corpo de Sharon em um recipiente cheio de alfafa, palha, serragem e com notas escritas com tinta biodegradável.

Hinos foram tocados no sistema de alto-falantes, uma homenagem à filiação de Sharon à Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Ao final do processo, que aconteceu no início do verão, tudo o que restava da matriarca eram algumas centenas de quilos de solo rico e escuro.

Pois é… Para manter a sua mãe “viva” de certa forma, Rachel decidiu usar seus restos mortais de uma maneira inusitada: como adubo para as flores que cercam a sua casa. “Eu imaginei, Mãe, seria uma coisa tão maravilhosa para mim – ser capaz de andar pelo meu jardim]e dizer: – Oh, oi, mamãe”, disse Rachel.

Este processo é a redução natural, conhecida como compostagem humana, a primeira forma verdadeiramente nova de destino aos restos humanos, em décadas. Legalizado pela primeira vez no estado de Washington em 2019, o processo ganhou popularidade por ser uma alternativa ecológica de sepultamento, para algumas pessoas do Noroeste do Pacífico, ansiosas para que seu último ato na Terra seja positivo.

Hoje, existem quatro empresas “NOR” em um raio de aproximadamente 241 Km do oeste do estado de Washington, incluindo a Return Home , a empresa responsável pelos restos mortais de Sharon.
Novos mercados estão se abrindo o tempo todo. NOR agora é legal na Califórnia , Oregon, Colorado e Vermont.

Os impulsionadores esperam que Nova York seja a próxima. Mas os disruptores da indústria da morte enfrentam oposição, inclusive da Igreja Católica, que considerou a NOR “mais apropriada para aparas de vegetais e cascas de ovos do que para corpos humanos”. Eles não são os únicos: muitas pessoas acham todo o processo um pouco assustador.

E vamos combinar que não é nada convencional. Mas e você, o que achou? 🤔

Saiba mais no The Verge

🧬 Sequenciamento genético rápido e barato

A concorrência está se intensificando na indústria de sequenciamento de DNA, que há muito é dominada pela gigante do sequenciamento Illumina, que detém 80% do mercado global de sequenciamento de genes e anunciou uma máquina que pode quebrar genomas duas vezes mais rápido.

No início deste ano, outra startup, a Ultima Genomics, disse que começaria a lançar um sequenciador que pode gerar um genoma por US $100 no próximo ano. Enquanto isso, a Element Biosciences, uma startup com um sequenciador de bancada já no mercado, anunciou especificações atualizadas esta semana que a CEO Molly He diz que apoiará sua atuação no mercado para oferecer aos pesquisadores um sequenciamento de genoma de alta qualidade mais rápido. Bela briga hein? Ótimo para nós consumidores que seremos beneficiados com maior acesso a esta tecnologia.

Para quem não sabe, o sequenciamento de DNA potencializa a pesquisa em biologia e medicina. Ele permite, por exemplo, que os médicos monitorem a recorrência do câncer, os epidemiologistas acompanhem os níveis de casos de COVID e os desenvolvedores de vacinas conheçam seus alvos. É também uma ferramenta crítica para pesquisadores que tentam cumprir a promessa de assistência médica que detecta doenças mais cedo e adapta tratamentos.

Todas essas aplicações e aspirações estão levando a indústria a oferecer um sequenciamento mais barato, mais rápido e mais preciso. O custo de sequenciamento do genoma humano, há 21 anos custou US$ 100 milhões, há 10 anos, foi cerca de US$10.000 e passou, nos últimos anos, a menos de US $1.000, alcançando atualmente uma faixa de US $600 quem segundo a Illumina, é um grande avança mas ainda um limitador para muitos projetos e objetivos.

A Illumina diz que seus novos sequenciadores, NovaSeq X e NovaSeq X Plus, duas vezes mais rápidos que o sequenciador NovaSeq existente, podem sequenciar 20.000 genomas por ano contra 7.500 do atual, amplamente utilizado na indústria e em instituições acadêmicas, custarão em torno de US$ 1 milhão, que começarão a ser enviados em 2023, podendo sequenciar um genoma humano por menos de US$ 240.

Em tempos de ESP, vale a pena notar: a geração e análise de dados de sequenciamento deixa uma pegada de carbono pesada. A Illumina diz que os novos sequenciadores usam menos plástico e embalagens e podem ser enviados para fora da cadeia de frio.

A conclusão é que um sequenciamento de genomas mais barato pode permitir que muitos mais genomas sejam sequenciados, ajudando a resolver a falta de diversidade nos conjuntos de dados genéticos, um problema que atualmente leva a compreensão e tratamento limitados de doenças.

Confira os detalhes no Wired.

💉 Um Pâncreas Biônico para resolver os problemas de diabetes

Pesquisadores descobriram que um dispositivo que usa algoritmos para monitorar e fornecer insulina automaticamente pode ser mais eficaz do que bombas ou injeções na redução de glicose no sangue em pessoas com diabetes tipo 1.

O pâncreas biônico, um aparelho do tamanho de um cartão de crédito, chamado iLet, monitora os níveis de uma pessoa 24 horas por dia, 7 dias por semana e fornece insulina automaticamente quando necessário através de uma pequena cânula, um tubo fino inserido no corpo, usado constantemente e principalmente no estômago. O dispositivo determina todas as doses de insulina com base no peso do usuário e o usuário não pode ajustar as doses.

Uma equipe da Harvard Medical School apresentou suas descobertas do estudo, descrito no New England Journal of Medicine, ao FDA, com a pretensão de futuramente levar o produto ao mercado nos EUA. Enquanto uma equipe da Universidade de Boston e do Hospital Geral de Massachusetts testou o pâncreas biônico pela primeira vez em 2010, este é o teste mais extenso realizado até agora.

O objetivo do projeto é democratizar o bom controle da glicose, diz Steven Russell, professor associado de medicina da Harvard Medical School, que liderou o estudo.

“Há muitas pessoas que estão lutando agora porque não têm as ferramentas certas, e acho que o iLet pode ajudar muitas delas a ter um controle muito melhor da glicose”, diz ele.

“Isso reduzirá o risco de complicações do diabetes a longo prazo e facilitará sua vida”.

Saiba mais no MIT Technology Review.

🧠 O projeto que criará o mapa do cérebro mais detalhado até hoje

O cérebro humano é um dos maiores mistérios da ciência: há décadas pesquisadores procuram respostas para diferentes perguntas, no entanto, a dificuldade em entender essa massa cinzenta deve-se a sua enorme complexidade. Mas isso pode mudar em breve, graças a um projeto que possui o intuito de criar o mapa mais abrangente de todos os tempos.

Ao decifrar o cérebro humano, os cientistas acreditam que será possível encontrar maneiras de tratar doenças cerebrais e distúrbios neurológicos e até mesmo inspirar novas formas de inteligência artificial.

Mas um ponto de partida crítico é lidar com a quantidade de informações deste contexto. Embora todos saibam que os cérebros são compostos principalmente de neurônios, há uma variedade impressionante de diferentes tipos dessas células. Isso sem mencionar os vários tipos de células gliais que compõem o tecido conjuntivo do cérebro e desempenham um papel crucial de apoio.

A Iniciativa BRAIN dos Institutos Nacionais de Saúde acaba de anunciar US $500 milhões em financiamento ao longo de cinco anos para um esforço para caracterizar e mapear neurônios e outros tipos de células em todo o cérebro humano. O projeto será liderado pelo Allen Institute em Seattle, mas envolve colaborações em 17 outras instituições nos EUA, Europa e Japão.

“Esses prêmios permitirão aos pesquisadores explorar as características multifacetadas dos mais de 200 bilhões de neurônios e células não neuronais no cérebro humano em detalhes e escala sem precedentes”, disse John Ngai, diretor da NIH BRAIN Initiative, em comunicado.

O novo projeto baseia-se em um esforço anterior para identificar e mapear mais de 100 tipos de células no córtex motor de um camundongo e emprestará muitas das ferramentas e técnicas desenvolvidas para esse esforço. Isso inclui abordagens como transcriptômica de célula única, que possibilita medir a expressão gênica de células individuais, e transcriptômica espacial, que possibilita mapear a expressão gênica em grandes seções de tecido e localizar a atividade gênica em regiões específicas.

Mas não será nada fácil. O cérebro humano é 1.000 vezes maior que o cérebro de um camundongo e muito mais complexo e ampliar essas técnicas não será um processo simples. Se forem bem-sucedidos, o atlas de células resultante se tornará um recurso poderoso e de livre acesso para neurocientistas de todo o mundo.

Saiba mais no Singularity Hub.

💥 Apple vs Amazon – batalha de Titãs

Estamos próximos da temporada de lançamento de novos produtos tecnológicos, e as empresas por trás dos lançamentos querem vender mais do que apenas um produto.

A estratégia agora é vender um “modo de vida” que pode ser seu – um modo de vida que só é permitido por seus gadgets – e os serviços de assinatura que eles esperam vender para você também.

Os dois maiores gigantes da tecnologia, Apple e Amazon, estão nesta disputa para atrair o público, vamos entender a visão de futuro de cada uma das empresas:

Começando com a Apple, com seu novo iPhone 14 e Apple Watches. Para a Apple, há poucas dúvidas de que o iPhone continua sendo o centro de seu mundo de tecnologia pessoal, mesmo que o Watch e os AirPods estejam se tornando elementos conectados cada vez mais úteis.

O smartphone na visão da Apple não é apenas uma ferramenta útil, mas um companheiro vital. Os celulares agora são úteis até em acidente de carro – na semana passada inclusive, um acidente com 6 vítimas fatais nos EUA foi avisado a parte deste recurso – ou em no caso de você estar perdido em um local sem sinal.

Talvez você não enxergue muitas vantagens em grande parte destes recursos, mas, seja como for, a posição da Apple é que o dispositivo em seu bolso – ou talvez em seu pulso, ou ainda em seu ouvido (e talvez sobre seus olhos) – é o caminho a seguir.

Agora a Amazon vem com uma proposta muito baseada na computação ambiente, com produtos como os alto-falantes Echo e Echo Dot, em que a Alexa “mora”, o robô Astro, o relógio Halo Rise de monitoramento do sono e muito mais. Eles não são dispositivos que você veste ou carrega, mas sim estão distribuídos na sua casa, ao seu redor.

A visão da Amazon parece ser aquela em que a inteligência está incorporada em coisas que podem aprender sobre você, entender o que você quer fazer e depois fazer isso por você. Já venho falando disso nas últimas cartas…🙋‍♂️

Nenhuma dessas visões do futuro está realmente completa, mas já dá pra ter uma ideia das propostas de cada uma das empresas.

Saiba mais no Zdnet.

Por hoje é só, até semana que vem! 👋

Renato Grau



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