Quando as redes sociais nos fazem mal

  • 05 de Agosto de 2019
  • Blog

Quando as redes sociais nos fazem mal

Olá! Que bom que você chegou até aqui.

Gostaria de compartilhar uma inquietação, por isso este texto não será sobre negócios, carreira, RH, tecnologia ou LinkedIn, ok?

Eu vim falar de gente. Eu vim falar da Alinne. Ouvi a história dela em uma conversa sobre empatia que estava conduzindo em um cliente e, desde então, o assunto não me sai da cabeça.

Alinne Araújo entrou no Instagram para publicar suas descobertas no campo do autoconhecimento, autocuidado e autoestima. Com um histórico de depressão profunda, ela fez da rede um lugar de desabafo, troca, ajuda a outras pessoas com os mesmos desafios e aconchego. No seu perfil @Sejjesincera é possível acompanhar os Stories favoritos, com relatos das suas crises de depressão e ansiedade.

Na véspera do seu casamento, Alinne fez uma publicação contando que seu noivo havia terminado o relacionamento via WhatsApp.

Seu mundo caiu, mas ela, corajosamente, encontrou forças para manter a festa e celebrar o amor próprio, casando-se consigo mesma. 

É claro que ela foi criticada. Foi acusada de oportunismo, de ser marqueteira e de estar aproveitando a situação para se promover.

Alinne fez um Stories rebatendo os haters e, no dia 15 de julho de 2019, caiu do nono andar do prédio em que morava, no Rio de Janeiro. Ao que tudo indica, ela cometeu suicídio.

Que as redes sociais estão transformando a nossa forma de lidar com o mundo, é fato. Podemos alavancar negócios de uma forma muito mais democrática do que na época em que apenas poucas empresas conseguiam pagar pela propaganda na grande mídia. 

Podemos também impactar pessoas, reconhecer publicamente nossos colaboradores, gerar engajamento com a equipe ou reencontrar amigos de infância. Mas, cá para nós, somos seres duais. Temos as nossas sombras, sentimos raiva, tristeza, inveja, e isso é naturalmente humano. O problema surge quando aproveitamos que estamos atrás de uma tela para canalizar nossas frustrações no outro. Pessoas feridas ferem outras pessoas, e, quando se sentem protegidas pelo anonimato, podem ser terrivelmente cruéis.

No caso da Alinne, é nítido que havia um quadro clínico crônico, mas não podemos negar que os julgadores virtuais colocaram (e fundo) os cinco dedos em sua ferida.

Pouco depois da tragédia, o Instagram removeu o contador de curtidas. A empresa de Mark Zuckerberg já estava estudando medidas para deixar o ambiente do aplicativo menos tóxico. Já havia implementado a alteração no Canadá e, no dia 17 de julho, a novidade chegou no Brasil. O sentimento de competição e a pressão social causada pelas (aparentemente) vidas perfeitas, famílias margarina e férias impecáveis é de angustiar até quem está emocionalmente equilibrado. Agora, que os likes não são mais expostos, temos uma oportunidade para contar boas histórias por meio das imagens, aprofundando os temas e promovendo um boa troca de ideias.

Tenho uma amiga e conselheira que sempre cita uma frase: A grama do vizinho é sempre mais verde, mas cuidado, porque ela pode ser de plástico”. É estimulante sermos nossa melhor versão quando nos comparamos com quem éramos a segundos atrás, e não com outras pessoas.

E sabe porque esse caso está me incomodando tanto? Porque quando fiquei sabendo que ela havia se casado com ela mesma, eu deduzi na hora: “isso só pode ser uma estratégia para se promover”.

Eu não fiz comentários acusatórios na publicação de Alinne, mas, intimamente, já havia dado a minha sentença. E que atire a primeira pedra quem nunca fez o seu julgamento virtual.

Ainda estamos aprendendo a lidar com esse novo mundo virtual, e espero que consigamos utilizar a tecnologia para ganhar mais tempo para a nossa evolução pessoal. Antes de sermos bons profissionais, que sejamos boas pessoas. 

Finalizo com um trecho da nova música do Emicida, “AmarElo”:

Rancor é igual tumor envenena raiz

Onde a plateia só deseja ser feliz

Com uma presença aérea 
Onde a última tendência é depressão com aparência de férias

Com amor,

Fabíola Oliveira

Conectando pessoas, organizações e seus propósitos

Fundadora da RDA Consultoria Humana e Diretora de RH no ITESCS

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PUBLICADO PELA http://revistatecnologia360.com.br/quando-as-redes-sociais-nos-fazem-mal/

 

 

 


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