O Desafio dos Novos Tempos

  • 08 de Novembro de 2019
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O Desafio dos Novos Tempos

 “NO MEU TEMPO, AS COISAS ERAM DIFERENTES. No cotidiano, ouvimos com frequências as pessoas de mais idade, com um certo saudosismo, ao mencionar que no “seu tempo” as coisas eram diferentes.  Mas a bem da verdade, começamos a nos deparar que esta frase agora é dita por pessoas bem “jovens” e também faz parte do discurso de “empresários”, “profissionais liberais”, “políticos”, e inúmeras outras atividades e profissões.  Esta sensação me levou a fazer uma reflexão de que “tempo estamos falando” e que “tempo estamos vivendo”.  É certo que o nível de conhecimento gerado, produzido e adquirido nas últimas décadas pela humanidade é algo sem precedentes.  Todos nós reconhecemos que isto se deu pelo avanço computacional e tecnológico que faz parte do nosso dia a dia, desde as funções mais simples de saber “se no dia irá chover ou não”, como também conseguir imprimir um coração customizado ao paciente numa impressora 3D.  O conhecimento nos faz responsáveis, já dizia “Che Guevara” a multidão que lhe cercava no campo de batalha.  Acredito que seja por isso que cada vez mais cedo as pessoas sentem um “saudosismo” dos “tempos passados” em que a responsabilidade era menor, e a alegria da vida poderia ser vivida com mais facilidade.  O nível de responsabilidade que recai sobre os ombros dos jovens e adultos estão cada vez mais próximos e igualitários, ao passo que o smartphone permite a absorção de conhecimento na mesma velocidade para os mais jovens, como também para os mais adultos.  Enquanto no passado, era pré-smartphone, a maior preocupação do jovem era em “receber um conhecimento limitado do professor em sala de aula” e a do adulto era “garantir um salário que mantivesse sua família”, nos tempos atuais e geração “smartphone” os jovens são pressionados a se capacitarem “com todos os mestres e professores do mundo” e os mais adultos são obrigados a “se reinventar diariamente na profissão para não perder seu trabalho para um robô ou aplicativo de smartphone”. Esse nível de desafio para os jovens e para os adultos, impede que seja desfrutado a beleza da vida, obrigando os jovens a diariamente terem que “inventar a roda” sendo um “digital influencer, “criar um aplicativo que muda o mundo”, “ser um startapeiro de sucesso” sob pena de serem “malsucedido na vida”.  Enquanto os empresários, “profissionais liberais, “políticos” acreditam que precisam “passar por um coaching”, “realizar a todo tempo uma renovação e inovação”, “ter um aplicativo” e “ter visibilidade nas mídias sociais” para se manter vivo e moderno.  O curioso é que percebemos por tais comportamentos, que a promessa de que o mundo conectado e tecnológico permitiria que as pessoas trabalhassem menos e vivessem mais e melhor não ocorre, como também a tecnologia não garante uma sensação de bem estar. As grandes corporações de tecnologia do mundo, já perecendo que o objetivo prometido de bem estar não esta ocorrendo, ao contrario, que o mundo tecnologicio a bem da verdade um  novo mundo de cobranças, criaram o movimento “pos-like”. O movimento pos-like, foi recentemente adotado pelo Instagram que deixou de “apresentar o número de curtidas das fotos”. Agindo desta forma o Instagram pretende que as pessoas “se libertem das cobranças do mundo digital” e com isto postem conteúdo sem o medo e responsabilidade de serem “avaliadas” e “cobradas” a cada foto ali postada.  De outro lado ainda, “empresários”, “profissionais liberais”, “políticos”, e inúmeras outras atividades e profissões adotaram o movimento “vida-fora-do-trabalho”, em que atualmente é bem visto a pessoa que consegue ter uma vida fora da sua profissão ou atividade, trazendo assim a humanização das pessoas em contraposição a supervalorização do antigo e bem visto “Workaholic”, ou seja, trabalho em excesso. Curiosamente ainda, pode-se perceber que até mesmo os momentos de “alegria” e “descontração” obrigatoriamente precisam estar  “on line” para serem legítimos e aceitos pela sociedade moderna. Isto porque, as pessoas quando se desligam da sua rotina de trabalho ou profissional, acabem criando uma cobrança imensa em “postar” sua “alegria” nas redes sociais, preocupando-se com ângulos, roupas, comidas e iluminação que ira interferir nestas postagens, esquecendo-se muitas vezes de desfrutar a verdadeira beleza do momento que estão vivendo.  O desafio dos novos tempos, tanto para o jovem, adulto, empresário, profissional liberar e até mesmo para a nova geração da humanidade, é compreender que a sensação de bem estar não ligado a fato ser estar “on line” , “em exposição” e “100% conectado” com o mundo digital, e sim compreender que mesmo tendo na palma da mão o conhecimento de toda “humanidade” saber fazer o uso moderado e limitado deste conhecimento/poder, para momentos e ocasiões especifica que precisam ser resolvidas, e que após serem resolvidas poderem se “desplugar” e “não se cobrarem” pode estarem “off line” do mundo digital.  Por isso, concluímos nesta reflexão, que os tempos modernos prenunciam um movimento que valorizará mais as pessoas que saibam “viver momentos verdadeiramente off line” , ou seja, pessoas que tenham seu momento em família, lazer, vida sem nenhum “post” ou “curtida”, do que aquelas pessoas que levam sua vida integralmente no modo “on line” –(quer profissional ou pessoal) -, isto porque o inconsciente coletivo esta provando que é impossível a busca exagerada por conhecimento e a exposição 100% digital sem gerar danos a vida social das pessoas.  E o papel agora dos jovens, adultos, empresários, profissionais liberais e políticos é criar uma forma diferente de trabalho e lazer, em que seja aceito e reconhecido que precisamos beber da fonte do conhecimento num período de tempo da nossa vida, como também precisamos dedicar parte do tempo de forma “off line” para apreciar as coisas boa da vida.

Álvaro Barbosa da Silva Junior – sócio fundador Álvaro Barbosa Advocacia 


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