Fake news: qual é a nossa responsabilidade?

  • 19 de Junho de 2020
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Fake news: qual é a nossa responsabilidade?

Quanto mais se ampliam os canais de informação, mais desinformação se constata. Seriam as redes sociais protagonistas da disseminação das notícias mentirosas? As tecnologias de informação e comunicação são as maiores responsáveis? Quem, afinal estaria por trás das falsas informações? De onde saem essas notícias? Como elas se proliferam? O que são, de fato as fake news? São essas indagações que tentarei responder neste artigo.

As fake news ganharam o mundo. Elas foram marcadas em eventos importantes como o Brexit (junção das palavras British e exit), que representa a saída (exit) do Reino Unido (British) da União Europeia; como as eleições americanas de 2016, que levou ao poder Donald Trump; e como as eleições no Brasil de 2018, que elegeram Jair Bolsonaro. 

Quanto à questão que aborda o protagonismo das redes sociais digitais, é importante que se compreenda que essas ferramentas digitais só existem porque há pessoas que as manipulam. Elas têm funções muito importantes da comunicação que é a construção de relacionamentos. E é por meio do relacionamento que se fecham negócios, compartilham ações, promovem o conhecimento e se dissemina informação relevante para a sobrevivência das pessoas. Nesse sentido, as redes sociais digitais têm uma função altamente positiva e agregadora para a vida em sociedade. Quando elas são utilizadas como instrumentos para promover ações negativas, com vistas a benefícios próprios em detrimento de outros, a responsabilidade é também de quem usa indevidamente essas redes. É importante que isso fique bem claro. Esse tipo de manifestação contrária já aconteceu com o rádio e a TV, em outras épocas. Com isso, a pergunta que fica é: são as redes as causadoras de problemas ou as pessoas que não sabem – ou não querem – usar com vistas à verdade? Esse comentário já responde a indagação sobre os demais recursos das tecnologias de informação e comunicação. 

Para que possamos compreender quem estaria por trás das falsas informações, vamos analisar como isso aconteceu na campanha eleitoral americana em 2016 com denúncias de dados e interferência no pleito. Em 2017, como lembram os pesquisadores Maria Cristina Castilho Costa e Anderson Vinicius Romanini, da USP, em artigo intitulado “A Educomunicação* na batalha contra as fake news”, Google, Facebook e Twitter reconheceram que houve robôs produzindo informações falsas que se multiplicaram entre os americanos. Como divulgou o Washington Post, seis postagens foram veiculadas em 470 contas russas, as quais foram compartilhadas em mais de 340 milhões de vezes, resultando em mais de 19 milhões de interações. Em março de 2018, o The New York Times noticiou um outro escândalo, revelando que a Cambridge Analytica, empresa contratada para a campanha eleitoral de Trump “usou dados roubados de milhões de usuários do Facebook para traçar perfis psicológicos e moldar mensagens personalizadas capazes de influenciar o comportamento de eleitores”, como esclarece o artigo anteriormente citado. O assunto também repercutiu em reportagem do The Guardian. 

O termo “fake news” foi conceituado a partir do que a Comissão Europeia (CE) especificou como “desinformação intencional”. Surgiu com o propósito de resultar em vantagens econômicas ou para enganar um público menos crítico e que busca informação sem se importar em analisar, refletir a respeito ou conferir sua veracidade. Nesse sentido, quanto mais aterrorizante ou impactante for a notícia, mais ela será replicada, avolumando-se em dados e depositórios tecnológicos. Esses grandes volumes, ou o big data, são muito mais do que isso, representam uma produção contínua, em extrema velocidade, com variedade de dados e escalabilidade. 

Falsificação, Notícias Falsas, Media

Como cada um de nós pode combater as fake news?

Já que, como foi dito anteriormente, as redes sociais são o que as pessoas fazem delas, que tal transformá-las em ferramentas do bem e que ajudem a fazer o bem? 

O ideal é checar todas as informações recebidas. Como nem sempre isso é possível, tenha cautela. Verifique de onde vem a informação. Se for de veículos de imprensa, como Folha de S.Paulo, Estadão, O Globo, emissoras de TV e de Radio que são reconhecidas pelo público, sabemos que são informações apuradas. Se a informação for enviada por amigos, familiares ou outras pessoas conhecidas, procure saber de onde foi recebida. Se não souber e não tiver como saber, não repasse. Se for alguma pessoa que se identifique como especialista no assunto e dê conselhos, dicas e orientações, vá a um site de busca e verifique se há a devida competência dessa pessoa. 

Caso você não tenha condições de verificar, antes de tomar qualquer atitude, encaminhe para alguém que possa pesquisar e analisar em seu lugar. Na dúvida, não repasse, mesmo que seja para pessoas bem próximas. 

É preciso ter em mente o mal que uma desinformação pode provocar. Segundo a especialista em gestão de conteúdo na internet, Naia Veneranda, “Fake news são notícias falsas criadas e distribuídas na intenção de desinformar determinado público sobre algum assunto específico com o objetivo de prejudicar alguém ou de deslegitimar alguma discussão ou, de má fé, colocar em xeque algum fato”.

Uma fake news pode provocar grandes constrangimentos, como fim de relacionamentos, falha nos negócios, demissão (inclusive por justa causa), ira, depressão, escolha política errada e até morte. Cada um de nós pode ter responsabilidade sobre as consequências.   

*Como explica um dos principais pesquisadores em Educomunicação no Brasil, Osmar de Oliveira Soares, “reconhecemos a inter-relação entre Comunicação e Educação como um novo campo de intervenção social e de atuação profissional, considerando que a informação é um fator fundamental para a Educação”.

Por Ivone Rocha

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Consultora de negócios eletrônicos e pedagógica, professora universitária de cursos de comunicação, marketing e negócios, mestre em políticas públicas, MBA em Tecnologia da Informação e e-Business com formação em jornalismo. É gestora e professora do programa de cursos De Olho na Rede (Facebook.com/deolhonaredecurso)

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