Entenda o modelo de negócio de economia compartilhada


Entenda o modelo de negócio de economia compartilhada

Renata Bottura é empresária e diretora de networking do ITESCS. Desde 2016 ela é empreendedora no negócio de coworkings, à frente das unidades da Locus Business Center no ABC Paulista. Nesta entrevista falamos sobre a vida real dos negócios baseados em economia compartilhada, seus riscos e oportunidades.

 

O primeiro coworking

O modelo de negócio já existe no mercado há algumas décadas, mas não com este nome. O primeiro coworking a levar este nome foi criado em 2005 em São Francisco, Califórnia, quando Brad Neuberg fundou o Citizen Space.

Renata Bottura diz que própria Locus se transformou quando teve contato com o modelo. “Até então, nós trabalhávamos no formato de Business Center, com salas privativas, mas a partir da unidade de Santos incorporamos um espaço compartilhado de trabalho”. Hoje a Locus combina os modelos de coworking e escritório virtual.

 

Desafios

O maior desafio na gestão de um coworking é assumir o risco imobiliário do empreendedor. “Nós oferecemos a flexibilidade ao cliente, mas toda a responsabilidade com a infraestrutura é nossa”.

Enquanto o empreendedor pode aumentar ou diminuir o número de posições de acordo com a sua volatilidade de mercado, o coworking assume custos fixos de aluguel, telefonia, dados e outros.

Outro desafio é assegurar o perfil de quem convive dentro do coworking. No caso da Locus é feita análise de crédito e antecedentes antes de se fechar um contrato.

Afinal, se um coworking usa seu local de trabalho para, por exemplo, hackear uma empresa, o coworking pode ser responsabilizado nos termos do marco civil da internet. “Existe toda uma questão de compliance que precisamos cuidar”.

 

Coworking x plataforma

Ao comparar o modelo de coworking ao de uma plataforma de economia compartilhada, como o AirBnB, Renata destaca que o que está sendo compartilhado aqui é um ativo gerenciado diretamente pela empresa.

Se fosse uma plataforma, ela teria que cuidar do desenvolvimento de suas redes paralelas, a de coworkers e a de espaços, o que eleva a complexidade do modelo. “Uma plataforma precisa gerar valor real para os dois lados da rede, o que envolve ações para garantia dos padrões de qualidade de ambos”.

Hoje a principal metodologia para proteger a qualidade da rede é a avaliação cruzada. Em modelos como Uber e AirBnB, os dois envolvidos em uma transação se avaliam mutuamente.

Contudo, nem sempre isso é suficiente. Outras plataformas, como a Pet Anjo, oferecem cursos de capacitação para os profissionais envolvidos. “Para coworking, não vejo como isso funcionaria sem um empreendedor que tem o próprio coworking envolvido”.

 

Oportunidade

Quando decidiu empreender em coworking na região do ABC, Renata identificou que havia uma mudança em andamento e quis se posicionar. “Percebi que o desenvolvimento da região passaria pelo empreendedorismo, e os empreendedores precisariam de coworkings”.

Salim Ismail, da Singularity University, em seu livro “Organizações Exponenciais”, menciona a alavancagem de ativos como uma das características que tornam um negócio exponencial. Ao invés de usar intensivamente recursos próprios, uma organização exponencial reduz seu custo fixo utilizando ou alugando recursos externos. O coworking aparece dentro desta perspectiva.

De fato, a aposta foi acertada. Em dois anos e meio de operação a Locus saiu de uma para três unidades no ABC Paulista. Mais ainda, o mercado de coworkings cresceu nos últimos dois anos. De acordo com a Coworking Brasil, de 2016 a 2018 o número de coworkings cresceu de 378 para 1.194 unidades no país. Na região a Coworking Brasil mapeou mais de 15 coworkings em atuação.

O futuro agora passa pela diversificação e mudança de cultura. “Temos clientes que tinham sede própria e estão trocando por coworkings”, afirma Renata Bottura. A tendência é cada vez mais as empresas terceirizarem a gestão de sua infraestrutura e concentrarem seus esforços no core business, ganhando assim em produtividade e competitividade.


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